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"esse sou eu: isso"
(Octávio Paz)
és isso: osso a osso
assim como sói ser
esses ossos sós
silenciosos
assim sem som
somos isso: nossos ossos sós
nossos sombrios ossos
sem sol ou sal
insossos - sem sumo
secos como o sol
sim: assim: isso
como os ossos são
sem sócio ou sósia
como todo osso
só ócio
* poema musicado pela banda catarinense Jeremias sem Cão
Escrito por vinicius às 18h43
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hai kai
p/ p. leminski
cacos de vida
cacos de dentes
vide, videntes!
ou
cacos de vida
cacos de dentes
ride, ridentes!
Escrito por vinicius às 13h51
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SUITIBIBITE
em memória de reduzino bregeron,
meu avô, mesmo não sendo, mas sendo
al-Khaiiat. o velho fazedor de roupas. cobrir e descobrir. quem descobre se descobre? eu descubro aos poucos. só o que é coberto pode ser descoberto? ele me cobriu e eu o estou descobrindo, ainda: cobertor de orelhas pro frio, gravata borboleta, mini-ternos, suspensórios, polainas: o falso neto, claro. as réguas regras regulares: retas linhas curvas: o terno eterno. às vezes surras leves. no mais, extravagantes perus, dormitar na missa, rádio de pilha com boca losangular sobre a geladeira (rádio-falante), pactos pacatos e palavras estranhas: suitebibite. quando não imitações perfeitas de trombone-de-vara, bancos aprazíveis sob parreiras praianas; bananas-maçã no fundo do quintal. o velho infante afeto. a antiga receita: suco de laranja mais água mineral com gás mais açúcar: laranjinha. segredo mútuo para encobrir o pequeno pecado: beber cachaça em casa: suitebibite. alegria: alegoria: alergia à letargia: al-hagá: alfaia: alfáia-te: adorna-te de amarelo bilirrubina com um riso na cara: teu último sorriso. choro de tanto rir. rio de tanto chorar.
Escrito por vinicius às 12h37
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OBRIGADO
QUERO AGRADECER AS MAIS DE 1300 VISITAS AO BLOG. PROMETO, PRO ANO, ATUALIZÁ-LO COM MAIS FREQÜÊNCIA. NO MAIS, COMO SEMPRE DIGO, FALAZ NETIL E UM ABRACADABRA PRA 2006. ATÉ LÁ, ENTÃO. vinícius
Escrito por vinicius às 12h27
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deixe seu comentário ou mande e-mail para vinicius440@hotmail.com
Escrito por vinicius às 12h16
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cada um cata tal catatau cada qual
(a la p. leminski)
bateu na patente?
batata
tem gente
cada um cata e ataca: ou acata: batata e banana q bashô carrega cruz no pilarzinho; enquanto jesus e trótski passam passarinho: quintana & quitanda na mesma mesa mesma: dois meninos marrotos de cara com cocorocas de cócoras. esses caras outros. outras ostras ou astros outros? aqui occam é oco como um toco e agora é q são éles: ai meu haiku. essas palavrinhas palavronas. caprichamos distraídos e relaxados venceremos? vó de cá ou vó de lá? q de tédio ninguém ungüento: meus negros apolacados: meus polacos enegrados: capoeira e karatê, polska e cateretê: primeiro erramos e rimos em seguida falamos e falimos, ai meu rio lifey joyceando: esses poemas-maçãs: poema por um penni, poemas por dois pênis: quem o lê sai lelé minski da cuca: q q é, mané? o chulé de Aquiles no calcanhar daquilo?: calcanherro: pobre de mim q nasci sem tu: aquelas pedreiras: para ver dura a verdura da nervura, virem-se. não sei se já notaram mas no meu (o nome meu) cata&tau não há uma só palavra separada por hífen: palavras são inteiras liteiras: meus irmãos & os campos: &spaços: eu concreto sou; nasci, não fui inventado, mais do q eles q me pariram! putas q! me régis, me régis, Régis meu: bom vizinho: amici a mil: cartas-poemas as pampas: minha foto entre livros na ébria madruga curitiboca: rimbaud zen sul-americano, novo joshua no nirvana, negro cruzeiro amalucado, trotskitrotando no altiplano, bashôbananeira abaixando as calças num bundalelê pros caretas: negripolaco zureta bebendo a pinga e a língua pátria que te pariu, filho da puta, te mato a pau-a-pique, cachorro louco q faz chover nonosso piqueniquetupinique: tu pinicas: eu pinico, q de batata em batata q é do q o povo gosta, tudo bem pesadinho, dá bem dois quilos de bosta.
Escrito por vinicius às 00h36
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Escrito por vinicius às 11h23
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lesma
lerda
lenta
mesma
merda
°°°
arte cara
cara arte:
caracter
°°°
nenhuma dor me dorme
a dor mor me morde
dor de amor ou morte
temor metro a metro
motor que me mata
terror que me torra
modorra que morra
morrer que dá medo
do demo do demo do demo
°°°
mmmmmmmar
semmmmmmm
mmmmmmmar
gemmmmmmm
°°°
para gina, ermã
num ermo
a ermã, o ermão;
ermitões, ermões.
°°°
pro fábio, sentidor
cada um é cada
um e cada
fora isso não há
nada e nada e nada
e nada sempre vai dar
em nada
desde que nasceu adan
que na lida ao contrário
vai ser sempre nada
cada um é cada
um desde que adan é
adan e nada é nada
°°°
o futuro:
adeus pertences
(poemas deArte em Tear, Ed. Letras Contemporâneas, Santa Catarina, 1996)
caixa de fósforos
ao alcance da mão
complexo de nero
outro avião cruza o céu
na mesma noite silente
ou será o mesmo?
na velha lagoa
a rã coaxa
sem saber para quem
apagou-se o último cigarro
uma pequena brasa resiste
resto de fôlego
(Do livro + 12 haikais ou -, Ed. Bernúncia, Santa Catarina, 1997)
Escrito por vinicius às 16h00
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O CORVO
Edgar Allan Poe
Numa meia noite triste a relembrar tudo que existe
Relendo um curioso volume dos que haviam outrora
Foi que notei, modorrento, um ruído vindo lento
Que me tirou do assento, um acento à porta agora
"Algum visitante", eu murmurei, "vento na porta como outrora —
Somente isso a essa hora."
Ah, perfeitamente eu lembro, foi no gélido Dezembro
E a chama mortiça desenhava fantasmagorias no assoalho
Pestanejando eu tentava ler o que ainda restava
Do meu livro antigo — antigo como a lembrança de Lenora, —
A radiante presença a que os anjos chamam Lenora —
Que nome mais não tem agora.
E a aterradora sombra púrpura da cortina doentia
com suas formas a lembrar-me a fantasmal senhora
Agitava-me o coração que batia e de medo repetia:
"Um visitante bate-me à porta e s'evapora —
Bate-me à porta já em derradeira hora —
Nada além disso em neutra hora."
Hesitante lanço um grito que reboa no infinito,
"Senhor", eu digo, "ou Senhora, desculpa esta alma que implora
Eu estava quase dormindo e não vi que vinhas vindo
E batias insistindo à porta como repelindo a mora
Eu não poderia ter ouvido" — escancaro-a sem demora —
Só escuridão em morta hora.
Dentro da noite escura, conjeturando, como quem procura,
Sonhei sonhos que mortal nenhum sonhou jamais
Mas o silêncio não se quebra, com o martelar na pedra
Então a palavra medra com a forma de "Lenora"
E o eco que apavora repete sempre "Lenora"
É só isso que há la fora.
Volto para dentro de casa com a alma quase em brasa
E retorna o tal batido que me deixa combalido
"Realmente", eu digo, "alguém bate na janela
Oh misterioso ser miserável que não posso ver agora, —
Meu coração sai pela boca nessa hora que evapora —
E só o vento uiva lá fora."
Abro então minha janela e entra um vulto esvoaçante
É um Corvo agourento que em remotos dias mora
Não me pede nem licença para estar aqui comigo
Pousa e posa sem demora —
Sobre a escultura de Palas que embolora —
Pousa e não vai-se mais embora.
Cravo no Corvo um olhar morto que me deixa absorto
E a grave ave o escora e meu riso quase chora
"Esta crista é um estorvo", digo, "como o nepentes que absorvo
Grasnento, gago, avarento Corvo, só a noite te decora
Dize-me, ó nobre Corvo, teu negro nome infernal sem demora"
E o Corvo disse: "Não Agora".
Maravilha que ele fala sobre a estátua de Pala
uma resposta curta e grossa que em nada colabora
Que ao homem não socorra, mesmo que ele sempre morra
Olho o pássaro pousado como aquele que elabora —
Um crime para matar a besta sobre o busto que implora —
E tem por nome "Não Agora".
Mas o Corvo solitário deve ter-me por otário
Achando que acredito nas palavras que elabora
Pousado no busto assim hirsuto;
Faço um escárnio quando cala-se: "Outros já se foram embora:
Logo cedo ele me deixa, é o que desejo: Vai-te embora"
E diz a ave: "Não Agora".
Mas aquilo que ele cala não se quebra com a fala
"Um ventríloco", eu penso, "que repete a frase sonora
Que aprendeu de um velho mestre num só único semestre
Como um refrão a repete para ver se assim melhora
Martelando as notas tristes a triste ave canora
O sempiterno 'Não Agora'".
Mas o Corvo horroroso ao ver meu riso nervoso,
Cochilando na poltrona já em avançada hora;
Como em sonho nebuloso num meu esgar medroso
Pensando meu pensar que evapora,
Por que esta medonha, terrível, execrável ave não vai embora?
E crocitando: "Não Agora".
Saturado eu já não lia cada sílaba que emitia
Como que hipnotizado meus olhos pediam uma escora;
Quanto mais eu dividia em raios a lâmpada que luzia
Ainda mais eu me reclino na poltrona que me ancora,
E viajo na luz violeta daquela que ainda me enamora,
Aquela em que mais não toco, ah, Não Agora!
Eis que o ar ficou mais denso de melífluo incenso
Como anjos esparzindo um suave aroma de amora
"Maldito", praguejo, "os anjos de Deus, lentos, aliviam sentimentos
Dos teus memoráveis tempos com a angelical Lenora!
Sorve o nepentes, oh, sorve-o lentamente e esquece essa Lenora!"
Grasna o corvo: "Não Agora".
"Profeta", eu digo, "Coisa-Ruim — Profeta Aéreo, Ave do Inferno! -
Que a Tentação mandou ou que o temporal devora
Tudo que há por sobre a Terra —
Nessa lareira que arde — dize-me a verdade", ele implora
"Existe - existe o bálsamo em Galaad — dize-me — dize-me" sem demora!"
Crocita o Corvo: "Não Agora".
"Profeta", digo eu, "Coisa-Ruim — Profeta Aéreo, Ave do Inferno
Jura pelos Céus, pelo Deus que adoras,
Por todas as almas que pedem, desde o distante Éden
Tornarei a ver a santa que o serafins chamam Lenora:
Verei ainda a rara e radiante que os serafins chamam Lenora."
Grasna o Corvo: "Não Agora".
"Esta palavra é o fim da linha, ave esquisita!" grito e levanto:
"Volta à noite tempestuosa que Plutão te quer agora!
Nenhuma pena negra reste de tudo aquilo que disseste!
Deixa-me na solidão de pedra, saias daqui porta afora!
Some-te do meu coração partido, ponhas-te daqui pra fora!"
Crocita o Corvo: "Não Agora".
E o Corvo, nem um minuto, hirsuto e duro, duro e hirsuto,
Sobre o pálido busto de Palas no umbral da porta que aflora;
Tem o olhar de mil demônios que habitam os meus sonhos
E a luz da lâmpada mortiça no chão se agita e o condecora;
Esta alma errante que flutua na sombra e corrobora
Há de erguer-se jamais — nem "Não Agora!"
Tradusom: Vinícius Alves - 1999
no livro "O Corvo, Corvos e o Outro Corvo"
(Incluindo a Filosofia da Composição)
Bernúncia Editora e Editora da UFSC
(coleção traduzir - 2002)
pedidos: viniedi@terra.com.br
Escrito por vinicius às 15h52
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vinnícius refém ou: tema para cricríticos ah! cadê micos?
(finnícius alfes alface a la James Joyce)
Vinícius Alves
primeiro esta extra vagância devagar de vagar de seus dois enes nonome como nômade de nomesmos como um mú de vaca ou besta branca ou cabrabranca berrando mé;
dupla personulidade dada a dadá e gugu como um infante defunto cabreiro, um presunto pensante ante e entre assunto e assinte assim assim...;
um nenê, um bebêbado bardo do bar do bebe água quieto. o fato do olfato pouco para nariz tão grandemente aquilino (aquilo li no lido ou no lidô);
esse exagero sem uso, esse muco de meleca formador de meca que sempre entope as fossas nasais ou as nossas fasais;
este naringuludo fanho anasalado que tem uma dicção horrenda rindo da fala e da lida, da falida linda fala e do falo falado e do fado e da foda, da falácia flor do lácio, do laço do ócio, da liça da língua e da lingüiça, da linha e da linhaça, da cana e da cachaça, do cacho e do capacho, do chumbo e da cachumba, do samba e da caçamba, do simba e da cacimba;
este gagago vovô gagá em voga é um vagau da vogal e da consoante com som antes de som ser som destrói e trai e trava e trova e estorva a língua pátria e a torna pútrida puta, bem fez a pátria que o pariu em parto e em partes partindo-o em dois ou doze ou em doses duplas com bastante gelo;
este falador escrito ou este escritor falado ou este escroto falido não fala fala com fala, bala com bala, cala com cola cáca, dela com dele, gala com lago galo com gola ou com gelo, jayro com jaula e poderia passar a noite toda brincando de brincar com o elfobata abecedendo e desobedecendo as normas mornas da masmorra. morra-o! na marra! nem menos nem mais! morra norra orra porra. m. n. o. p. mas nunca o poema!
* publicado também no sítio Releituras, de Arnaldo Nogueira Jr. aconselho.
Escrito por vinicius às 15h48
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ABUNDÂNCIAS
p/ Clari e Teresa
as minhas
as duas Bandas da Bunda: aquela aBundância: não nádegas nadegudas: nada!: mas Bundas: a Bunda me sorrindo detrás da tanga em v: inícius!: de onde vem essa Bunda? : quem a carrega assim tão maciamente?: tão docemente?: toda dona tem sua Bunda assim como toda Bunda tem sua dona: Brasil, terra das Bundas: Bundil: negras, mulatas, Branquelas de Bundas avantajadas: tanajuras Bundudas: Bundinhas & Bundões & Bundarrões & Bundaças!: aqui no sul do mundo, no hemisfério de Baixo, reina a Bunda solta, como lá em cima reinam fartos peitões: nós somos a Bunda: nós somos da Bunda, mas não somos Bundões, só alguns: a maioria: nós apenas vemos a Bunda passar e a aplaudimos, que ela merece!: a Bunda nossa: Bundasileira: faceira Bundinha requeBrante: a sinuosa Bunda como duas luas cheias: pleniBunda ou Bundilúnio: as Bundas nossas conhecidas: redondinhas, rechonchudas: uns chuchuzinhos: as duas Bochechas da Bunda em B: a Bunda única e as Bundas várias: variedade de Bundas reBolantes: pequeninas, sorridentes, avantajadas, murchas, redondas, quadradas, caídas, empinadinhas, tímidas, imensas, continentais, empertigadas, faceirinhas, retas, entojadas, ruBicundas, alveoladas, mínimas, moriBundas, sem Bunda, táBoas de passar roupa, coloridas, arreBitadas, montanhosas: milhares de Bundas feminis: gêmeas, fêmeas Bundas primaveris: amadas Bundas minhas: Bundas das donas das Bundas: em revoada desfilam Bundamente pelo país: esse nosso país Bundístico das Bundas vagaBundas, onde Buda não manda nada; aqui quem manda é a Bunda: isso aqui é um desBunde, um Bundalelê: mulatas, loirinhas, negrotas, mamelucas, morenas, sararás, pardacentas, indígenas Bundas nuas, seminuas, vestidas, coBertas, em tanguinhas minúsculas, shortinhos, saiotes & minis, calças & meias-calças & meias, inteiramente nuinhas: para sempre Bundas: maravilhosas Bundas ondeantes desse nosso mundo-Bundo: Bundo-mundo, o mundo, a munda, a Bunda: o Bundo: mBunda: quimBundo: que Bunda!: a Bunda milmente reBundante!
vinícius alves
texto para a exposição D!ZBUNDA, de Ivan de Sá
Escrito por vinicius às 15h15
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